Como o Silêncio se Tornou o Meu Remédio
Por Pascaline Odogwu
Tradução a 15 de dezembro de 2025
O silêncio como escudo torna-se professor: rituais de corrida, limpeza e respiração revelam quem é sem ruído. Cura no silêncio — enraizada, presente, inteira.
Não me lembro quando é que o ruído se tornou o meu escudo; quando deixei de ouvir o meu interior e comecei a afogar-me em sons. Tudo o que sei é que acordei um dia e já não me conseguia ouvir. Não de uma forma dramática, como num filme. Apenas… silenciosamente. Lentamente. Como estática. Como distância.
Começou com conversa: preencher cada pausa, dizer sim a planos que não queria, rir demasiado alto, manter a música alta mesmo quando os ouvidos doíam. Continuou com movimento, correndo de uma divisão para a outra, de uma obrigação para outra, convencendo-me de que se me mantivesse ocupada, distraída, cercada, talvez o silêncio não me encontrasse e não tivesse de lidar com o peso das muitas coisas que me passavam pela cabeça sobre a minha vida. Falsa Sensação de Segurança
O que eu não sabia era que estava a confundir ruído com segurança. Pensava que o movimento constante era o mesmo que viver. Pensava que distração era o mesmo que cura. Pensava que se continuasse a falar, a mexer-me, a atuar, talvez a dor dentro de mim se acalmasse. Não se acalmou. Ela escondia-se sob o volume. As feridas não desaparecem no barulho; apenas esperam pelo silêncio. Tornei-me muito boa a evitar esse silêncio.
A cura não me chegou como uma revelação. Veio na quietude — nas manhãs em que o mundo dormia e o único som era a minha respiração. Nas tardes em que finalmente desligava o telemóvel e me sentava com o peso dos meus próprios pensamentos. Nas noites em que o silêncio me envolvia como um cobertor desconhecido.
No início, parecia insuportável. Como vazio. Como perda. Mas, lenta e silenciosamente, tornou-se remédio. O silêncio não apaga a ferida. Ele dá-lhe espaço para vir à tona. Para respirar. Para cicatrizar.
Houve um tempo em que pensava que o silêncio era um castigo. Agora, o silêncio já não me assusta. Ele acolhe-me. Não exige desempenho nem me apressa. Simplesmente permanece — firme, paciente, íntegro.
Na sua presença, lembro-me de quem sou sem o ruído. Não um reflexo do caos alheio, não um eco das suas exigências — apenas eu própria, a respirar.
Os Menores Rituais de Quietude
O silêncio ensinou-me que a cura não se trata de falar mais alto ou mais claro; trata-se de se tornar autêntico. Assim, quando a vida me sobrecarrega, recorro aos mais pequenos rituais de quietude.
Por vezes, acalmo-me sozinha e respiro lentamente até que os meus pensamentos afrouxem o controlo. Outras vezes, faço caminhadas silenciosas sem música, tocando a relva, deixando que a terra me lembre que pertenço a este lugar. Quando a dor é profunda, permito-me dormir, deixando a dor evaporar em vez de se intensificar. De manhã, corro. O que antes acelerava o meu coração de pânico é agora recebido pelo ritmo dos meus próprios passos, pelo pulsar constante de um coração que escolhi. Até o medo se suaviza quando o encaro de frente, quando o encontro com movimento, com respiração, com presença.
Alguns dias, simplesmente limpo o meu quarto em silêncio, transformando o caos em ordem, canalizando as minhas emoções mais pesadas em algo bom e tangível. Não são práticas dramáticas, mas sim comuns: caminhar, respirar, dormir, correr, limpar. Cada uma é uma forma de me conectar comigo mesma, avaliar as minhas escolhas e responder com clareza em vez de medo. Cada uma delas é como o silêncio se tornou um remédio para mim.
Quanto mais pratico estes pequenos rituais, mais o silêncio se revela como um professor. Não aprendi apenas a acalmar-me no momento presente; Comecei a perceber quem sou por detrás do ruído.
O que o Silêncio Me Ensinou
O silêncio ensinou-me a permanecer comigo mesma o tempo suficiente para perceber os meus padrões, ponderar as minhas escolhas e responder de formas que me impulsionam para a frente, em vez de me fazer recuar com medo. Deu-me espaço para avaliar — para me perguntar o que realmente sinto e responder de uma forma que esteja alinhada com quem quero ser.
Não estou sem cicatrizes, mas estou mais suave onde antes era áspera. Estou presente onde antes estava dispersa. Estou a ouvir onde antes me desligava. Talvez seja esta a nova forma de cura: não o triunfo, não a certeza, mas o silêncio. O tipo de silêncio que te ancora, que acalma a respiração até te sentires viva novamente. O tipo de silêncio que abre espaço tanto para a dor como para a paz, sem te pedir para escolheres entre elas.
Não sei exatamente em quem me estou a tornar. Mas sei que ela nasce no silêncio entre os momentos. Sei que ela vive em cada pausa que me permito. Sei que ela já está aqui — na quietude, na presença, na misericórdia silenciosa da paz.
E isso basta. Mais do que basta.
Pascaline Odogwu
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(Uma Grande Mentira).



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