segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Sentido da Vida: Ser Humano


O Sentido da Vida: Ser Humano

Por Gerrit Gielen

Tradução a 20 de abril de 2026


A questão do sentido da vida é tão antiga como a própria humanidade. Ao longo dos séculos, foram oferecidas inúmeras respostas. No entanto, muitas pessoas ainda sentem a sua existência como algo sem sentido. Sentem-se tristes, deprimidas ou até mesmo sem esperança. Algumas não vêem saída e tiram a própria vida — até mesmo jovens. Sobretudo quando a vida dói, surge aquela pergunta urgente: qual é o sentido de tudo isto?

Costuma-se dizer-nos que a vida só ganha sentido quando alcançamos um objetivo específico, a felicidade, a autorrealização ou algum "propósito de vida" especial que supostamente devemos descobrir. Mas isso significaria que a vida é sem sentido para muitas pessoas que nunca atingem esse objetivo.

O verdadeiro sentido não pode ser uma recompensa pelo sucesso ou um ponto final que apenas alguns alcançam. Deve basear-se em algo que todos partilhamos, independentemente dos nossos sucessos ou fracassos. Por outras palavras, se a vida tem sentido, tem sentido para todos, independentemente do que façam com as suas vidas. Não vem com condições — é uma dádiva incondicional para todo o ser humano. Se a vida não tivesse sentido, simplesmente não existiria. Mesmo quando tudo corre mal, mesmo quando tudo parece falhar, a vida continua a ter sentido. Aquilo que consideramos uma vida sem sentido ainda carrega significado em si.

A razão pela qual muitas vezes não a vivenciamos desta forma tem tudo a ver com a forma como fomos ensinados a pensar e a julgar quando éramos crianças.

Como aprendemos a pensar sobre o significado

Uma das primeiras coisas que ensinamos às crianças é a pensar em termos de certo e errado. Ainda me lembro claramente da escola primária, com uma grossa linha vermelha a riscar tudo o que errava. Se fizesse tudo bem, todos ficavam felizes e orgulhosos. Obtinha-se nota máxima e podia-se escrever com tinta colorida — exceto amarela, porque a professora não conseguia ler corretamente. Nessa altura, ainda usávamos canetas de aparo e tinteiros.

As crianças que cometiam muitos erros tinham de repetir o ano. Eram separadas do grupo, o que era um castigo severo. Nessa altura, ninguém considerava realmente o impacto psicológico que isso tinha na criança. A lista de coisas que uma criança podia fazer de errado parecia quase interminável.

Em síntese, fomos condicionados a ver tudo pela ótica do certo e do errado, especialmente as nossas próprias escolhas. Crescer significou, em grande parte, interiorizar normas e valores, o que para uma criança parecia bastante artificial.

Sem nos apercebermos, começamos a tratar toda a nossa vida como uma prova. Se acumularmos muitas "linhas vermelhas", reprovamos e temos de repetir. Isto leva-nos a acreditar que a vida só tem sentido se fizermos as coisas "certas". A religião tradicional estende este mesmo pensamento binário: Deus versus Satanás, céu versus inferno, crentes versus não crentes. Impõe-nos a terrível ideia de que uma pessoa pode falhar eternamente.

Como resultado, passamos a viver de acordo com as regras de uma autoridade externa cujo principal objetivo é manter o poder. Ser adulto significa tornar-se uma engrenagem na máquina. Significa que já não podemos ser crianças. E deixar de poder ser criança significa que já não podemos confiar plenamente na vida. A alegria, a brincadeira e a criatividade desaparecem e são substituídas pelo medo e pela obediência. Gradualmente, começamos a experienciar a vida como vazia e sem sentido porque deixámos de ouvir a nossa própria força vital interior.

É assim que nasce uma crise permanente de sentido.

Enquanto continuarmos a encarar a questão do sentido através da lente do certo/errado, a crise nunca terminará, porque essa lente é a própria causa dela. Então, vamos tirar esses óculos e olhar para o que chamamos "erros" de uma perspetiva diferente.

Erros: uma perspectiva diferente

Por vezes, as coisas correm terrivelmente mal na vida. Um condutor alcoolizado mata uma criança, por exemplo. Tanto os pais como o agressor ficam marcados para a vida. Que isto é uma tragédia é indiscutível. 1)

Mas o que acontece se não olharmos para o acontecimento isolado, mas o observarmos numa perspetiva muito mais ampla — do ponto de vista do universo, do todo em que cada vida individual está inserida? Ainda podemos falar de "erros" como algo que simplesmente correu mal?

O nosso juízo sobre o que está errado está intimamente ligado à nossa perspectiva e, especialmente, à nossa percepção do tempo. Vemos um tempo antes do erro, o momento do erro e o tempo depois dele, passado, presente e futuro. Dentro desta estrutura, esperamos cura, reconciliação ou significado. Mas como é que essa mesma realidade se apresenta quando vista de uma perspetiva intemporal, onde o universo é visto como um todo indivisível?

Uma metáfora comum é o relógio. Se um relógio tem engrenagens defeituosas, dizemos que está avariado. O todo não funciona como deveria. Da mesma forma, defende-se que se o universo contém erros, então o todo é falho. Mas se o universo é fundamentalmente falho, a própria existência torna-se problemática, um esforço sem sentido e sem alternativa. Como pode o todo ser bom quando contém tanto sofrimento e tantos descarrilamentos?

Vamos tentar uma metáfora diferente: o livro. Um bom livro não é aquele em que nada corre mal. Pelo contrário, um bom livro é significativo e perspicaz precisamente porque as coisas correm mal. Crime e Castigo, de Dostoievski, é um exemplo clássico. O protagonista, Raskólnikov, comete um duplo homicídio e é atormentado pela culpa e pelo remorso. A história está repleta de descrições de sofrimento e colapso moral, mas é exatamente aí que reside o seu poder: explora as consequências internas da culpa com uma profundidade extraordinária.

Porque consideramos um livro assim valioso? Porque a realidade que ele descreve não é a nossa realidade pessoal. Entramos nela temporariamente e a partir de uma distância segura. Podemos fechar o livro e afastar-nos. Ao mesmo tempo, ele revela algo de profundo sobre a condição humana, sobre a culpa, a responsabilidade e o conflito interno. Ele enriquece-nos sem nos ferir pessoalmente.

Isto leva-nos a uma importante constatação: uma realidade pode estar repleta de erros e sofrimento quando vista de dentro, mas ainda assim ser significativa e até valiosa quando vista de fora. O universo em miniatura de um livro extrai o seu significado não apesar dos seus erros, mas por causa deles.

Podemos aplicar o mesmo princípio ao próprio universo. O que parece um erro no fluxo do tempo pode, de uma perspectiva intemporal, ser uma parte essencial de um todo significativo, um todo que nós, vivendo dentro dele, só podemos experimentar em fragmentos e a partir de dentro. O significado surge quando combinamos ambas as perspetivas.

Podemos comparar a nossa própria vida a um livro que também estamos a ler? E, se sim, será que essa perspetiva dá sentido à vida?

A nossa vida como um livro que estamos a ler
Se a nossa vida é um livro, então quem é o leitor?

Essa é a questão fundamental. Esta vida é um acontecimento isolado ou faz parte de algo maior que lhe dá significado? Só no segundo caso os nossos tropeções, erros e fracassos adquirem um peso diferente. Já não são meros erros, mas passagens necessárias na história da nossa vida.

A minha resposta é sim. Existe uma perspectiva superior dentro de nós a que chamo alma. Não como um dogma religioso, mas como uma realidade interior viva, uma dimensão nossa que não está limitada pelo tempo, espaço ou história pessoal. Transcende tudo isso e, a partir desse ponto, cada experiência da nossa vida ganha significado.

Pode negar isso, mas depois terá de aceitar que uma vida pode realmente falhar, que, em última análise, não tem sentido e que simplesmente termina com a morte. A pessoa desaparece sem deixar rasto, como se nunca tivesse existido. No fim, tudo se desvanece numa noite sem fim.

Se experiencia a vida como significativa ou não depende inteiramente da perspetiva que adota. É uma escolha: respondes sim a esta pergunta — a minha vida tem sentido mesmo quando as coisas correm mal, mesmo quando às vezes é miserável?

A vida só pode parecer significativa se se vir a si próprio e se sentir como algo mais do que um indivíduo acidental inserido num tempo e num lugar aleatórios. Só pode ser significativa se houver algo dentro de si que transcenda o tempo e o espaço, que é a alma, a luz intemporal que verdadeiramente é.

Quando se abre a essa possibilidade, algo muda. A sensação de ser vítima dá lugar à compreensão de que se é um aprendiz, alguém que está aqui para aprender, que tem permissão para falhar, que falha e que cresce com essas falhas. Os erros tornam-se fontes de sabedoria e discernimento. Começa a sentir-se amparado por uma presença amorosa na sua jornada. Já não está sozinho.

A perspectiva inverte-se.

A metáfora do livro vai ainda mais longe. Um leitor não quer uma história perfeita. Muito pelo contrário, uma boa história necessita de conflito, juízos errados e cegueira moral. Sem erros não há crescimento, sem crise não há profundidade, sem erros não há aprendizagem real.

Aquilo que a personagem principal vive como um desastre é, muitas vezes, o momento em que a história se torna verdadeiramente interessante para o leitor.

Inverte completamente a perspectiva. Aquilo que pessoalmente vejo como um erro, a alma vê como uma experiência necessária, a faísca para a transformação. A História não pode congelar; ela precisa de continuar a desenrolar-se. Sem estagnação, apenas crescimento.

É por isso que não cometemos erros por acaso; somos feitos de tal forma que certos erros são inevitáveis. A nossa personalidade já carrega as sementes dos nossos erros. Tal como o sentido de superioridade moral de Raskólnikov o leva a cometer os seus crimes, o nosso próprio carácter conduz-nos a problemas em momentos críticos.

Neste sentido, a imperfeição não é uma falha, mas antes uma exigência. Sem erro não há compreensão. Sem trauma não há cura. O imperfeito é aquilo de que a alma necessita para se realizar.

Deixe que esta ideia penetre na sua mente: a força que dá sentido à vida dentro de nós não anseia por uma vida perfeita. Ela anseia por experiências valiosas. Ela quer que tropecemos, que nos percamos e que nos encontremos na resistência da vida. Fomos feitos para que isso aconteça. O nosso carácter é o nosso destino, mas somos muito mais do que apenas o nosso carácter.

E viveram felizes para sempre.

Muitas histórias, especialmente os contos de fadas, terminam com as palavras "e viveram felizes para sempre". Este final é profundamente simbólico. A história da nossa vida termina com a morte. Depois disto, vem a reunião do masculino e do feminino dentro de nós, o despertar para quem realmente somos. Depois, um novo capítulo de paz e profunda felicidade começa, pelo menos durante algum tempo, sem mais aventuras.

Quando podemos dizer, ao fecharmos o livro da nossa vida, "Esta foi uma vida linda"? Podemos dizê-lo quando a nossa vida nos trouxe novas experiências e encontros que nos enriqueceram interiormente. Uma vida repleta de erros é, geralmente, bastante rica em valiosas lições.

O propósito de uma vida

O propósito de um bom livro não é retratar um mundo perfeito com pessoas perfeitas. O seu propósito é enriquecer a nossa mente e mostrar-nos aspetos da realidade externa e interna que desconhecíamos.

É exatamente isso que a vida na Terra faz por nós. Mesmo uma vida que parece monótona ou sem graça dá-nos algo, ainda que seja apenas a sensação de saudade. Não podemos sentir falta de algo que já não está presente dentro de nós. Esta própria ânsia contém uma descoberta, a descoberta do nosso milagre interior, o brilho da nossa alma.

Em suma, quando retiramos os óculos do certo/errado, verificamos que os erros são a própria matéria-prima com que se constrói uma vida com sentido. Conduzem a experiências, perceções e aventuras que jamais conheceríamos de outra forma. A vida não é uma prova a ser aprovada, mas sim uma viagem repleta de reviravoltas, rica em possibilidades, crescimento e maravilhas. Em cada passo em falso e em cada reviravolta inesperada reside a semente do significado. A vida é significativa precisamente porque é humana, ou seja, repleta de erros e, por isso, repleta de oportunidades para aprender, sentir e crescer.

Conclusão: o valor de ser humano
Do ponto de vista da alma, cada experiência humana é única e valiosa; há solidão, dor e fracasso, sim, mas também a beleza de uma flor ou de um gesto gentil. Até os momentos comuns do dia-a-dia enriquecem a alma. Contudo, o mais valioso de tudo é descobrir quem realmente é.

Um peixe não sabe o que é água até saltar para fora dela. Da mesma forma, a alma perde o contacto consigo mesma no ser humano e descobre-se precisamente através desta separação. O nosso sofrimento mais profundo é esta sensação de separação de nós mesmos. Por que razão passamos por isso? Porque esta separação torna possível uma grande aventura, a descoberta do cosmos, a viagem de regresso a casa e a redescoberta da nossa própria luz.

Uma flor, um nascer do sol, uma bela música, o amor nos olhos de alguém, palavras sábias, tudo isto faz lembrar a alma de si mesma. A alma vê o seu próprio reflexo e reconhece a sua beleza. Isto só é possível porque a consciência humana começa com a supressão da percepção da alma. Tornar-se humano é escolher a solidão, a ignorância e a liberdade, a liberdade de errar.

A partir desse ponto, embarcamos em aventuras selvagens, abraçamos ideologias insensatas e até iniciamos guerras até que chegue a magnífica redescoberta, o despertar da alma, o despertar para nós próprios. Quanto mais profundamente sentimos a sua ausência, mais maravilhosa se torna a descoberta final.

Nada é sem sentido. Cada passo em falso é uma oportunidade para sentir e crescer. Nos nossos erros, descobrimos o divino.

Traduzido por  http://achama.biz.ly  com agradecimentos a:
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    (Uma Grande Mentira).

     

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